Os investimentos do Governo da Bahia na cadeia produtiva do leite têm fortalecido a agricultura familiar em Correntina, no Oeste do estado. Há quase três anos, a implantação e estruturação do laticínio da Central de Associações de Agricultores Familiares de Correntina (CAAF), com apoio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), ampliou as oportunidades de comercialização e geração de renda para dezenas de produtores.
Antes da instalação da unidade, muitos agricultores enfrentavam dificuldades para vender a produção, o que limitava o crescimento da atividade. Com o beneficiamento do leite e a organização da cadeia produtiva, os produtores passaram a contar com um mercado estruturado e maior valorização da matéria-prima.
Segundo o presidente da CAAF, Cláudio Duarte, o empreendimento representou um marco para a região.
“Antes da implantação da unidade, muitos produtores não tinham para onde destinar o leite produzido. Isso limitava o crescimento da atividade e desestimulava novos investimentos. Com o laticínio, eles passaram a ter segurança para produzir, comercializar e planejar o futuro da propriedade”, afirmou.
O crescimento da produção reflete o impacto do projeto. O laticínio iniciou as atividades recebendo cerca de 30 litros de leite por dia. Atualmente, mesmo durante o período de estiagem, recebe entre 600 e 700 litros diariamente. Na época das chuvas, o volume pode alcançar até 3 mil litros por dia.
Hoje, a unidade processa aproximadamente 150 mil litros de leite por mês e fornece produtos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e cerca de 50 estabelecimentos comerciais da região.
Além do leite, o laticínio produz iogurtes nos sabores morango, coco e ameixa e está em processo de certificação para ampliar a linha de produtos, com o lançamento de iogurte de um litro e queijo muçarela.
Entre os beneficiados está o agricultor familiar Jesuano Santana, que afirma ter transformado sua realidade após o início das atividades da unidade.
“Eu produzia leite, fazia queijo, doce e vendia de porta em porta. Chegou um momento em que não tinha mais para quem vender e pensei seriamente em desistir da atividade. A inauguração do laticínio mudou completamente essa situação. Passei a ter um comprador garantido e uma renda mensal constante”, relatou.
Com a segurança proporcionada pela comercialização, o produtor ampliou o rebanho, investiu em melhoramento genético e aumentou a produção. Segundo ele, a propriedade passou de duas vacas produzindo cerca de 20 litros de leite por dia para seis animais em produção, chegando a fornecer até 150 litros diários.
“O laticínio também nos incentivou a melhorar a qualidade da produção. Hoje investimos mais em genética, alimentação e sanidade do rebanho. O mais importante é saber que, todo mês, o pagamento chega, permitindo manter a propriedade, investir e sustentar a família”, destacou.